Não sinto sono, já não durmo há 48 horas. O tempo parece não passar, meus dias se tornaram mais longos e totalmente submersos por uma maré insuportável de tédio. Na total falta de algo útil para se fazer, levanto-me do sofá, desligo a televisão, que nada tem a me oferecer, e vou até a garagem. Por uns instantes penso em ir para minha cama e tentar dormir, mas não vou me dar o trabalho de subir as escadas, chegar no quarto para deitar na cama e ficar olhando para o teto ouvindo o maldito tique-taque do relógio até a luz do sol invadir meu quarto me avisando que um novo dia chegou.
Entro em meu carro e fecho a porta. Uma mancha no banco do passageiro me faz sentir tanto ódio que quase dou um soco no painel. Isso é porra. Esqueci de limpar. O nome da vagabunda com quem transei aqui na noite passada eu nem me lembro mais, talvez ela nem tenha dito, só sei que a conheci em um bar, e depois de bebermos um pouco, ela já estava sentada em cima de mim, cavalgando como uma louca, me desejando mais e mais dentro dela. Meu desejo é de nunca mais encontrar essa vadia na minha vida, ela me dá nojo.
Giro as chaves que sempre deixo no contato e saio pelas ruas mal iluminadas e desertas. Talvez no centro da cidade ainda tenha alguma forma de vida para se observar. Dirijo por uns 10 minutos até chegar no iluminado centro. As prostitutas, drogados e todo tipo de pessoas totalmente dispensáveis ao mundo tomam conta desse lixo de lugar. Abro a janela do carro para tomar um ar e me arrependo imediatamente disso. O cheiro podre que sai do meio das pernas das putas e dos cigarros vagabundos dos malditos fumantes invade meu carro, que já estava fedendo a porra. Os cheiros se misturam tornando o interior do meu carro um lugar repugnante.
Continuo a dirigir, observando cada pessoa. Olhando-as dos pés a cabeça. No meio de tanta gente, uma, apenas uma, me chama atenção. Ela está junto com mais duas amigas que nem me dou o trabalho de olhar. Vou dirigindo mais devagar, para poder olhá-la mais atentamente. Ela deve ter no máximo dezoito anos, cabelos loiros até o pescoço com mechas alaranjadas, pele clara, olheiras em seus olhos acusam que ela com certeza deve usar alguma droga. Não maconha, talvez algo mais forte, algo que em excesso, mata. Ela percebe que estou olhando para ela, diz algo para suas amigas, que também olham para mim e começam a rir. Talvez ela seja lésbica, tem cara de que só transou com outras mulheres. Nunca foi violada por um membro masculino
Ela pega um cigarro no bolso, ascende com um isqueiro e começa a fumar. Seus lábios são lindos, imagino como seria beijá-los. “Com as mãos em seus cabelos eu a acariciava. Ela me olhava nos olhos, desejando que eu a possuísse neste exato momento. Aproximo meus lábios dos dela aos poucos. O chão começa a sumir debaixo dos nossos pés. Uso minha boca para abrir a dela. Sinto sua língua, seus dentes, sua saliva se misturando na minha. Faço um tour por dentro de sua boca. Com todas as minhas forças cerro meus dentes e arranco um pedaço da língua dela. Provo o sabor do seu sangue de virgem e o sinto escorrer pelo meu pescoço manchando a minha camisa branca”. Acelero o carro. Melhor eu para de sonhar.
Continuo dirigindo pelo centro. Avisto alguns moradores de rua. Não consigo sentir pena deles, afinal, eles não tomam banho, não consigo nem imaginar o cheiro horrível que eles devem ter. Um deles vê meu carro e se aproxima da minha janela, olho para ele rapidamente e sinto nojo, ele está sujo. Barba e cabelos sujos, roupa suja, cara suja, uns poucos dentes podres em sua boca que se abre e de dentro dela sai algumas palavras que me recuso a ouvir, e ele estende o braço. O desgraçado me pede alguma moeda. Não abro o vidro, finjo que ele não existe, “eu tenho dinheiro e você se foda”.
A vontade repentina de descer do carro e espancar o indigente até ele chorar sangue vai sumindo enquanto eu começo a desviar o pensamento para outras coisas. Penso em minha família. É setembro, mês do aniversário de minha irmã, só não me lembro do dia exato, se ela ainda estivesse viva, ia completar 26 anos. Desapareceu quando tinha 15 anos. Ficamos 3 meses sem notícias dela, até a polícia encontrar seu corpo, já em decomposição enterrado no quintal de uma casa abandonada. Até hoje não se sabe quem cometeu o crime, e o motivo é desconhecido. Enfim, isso já passou, não faz mais diferença nenhuma na minha vida.
Essa cidade é como um câncer, quanto mais se desenvolve, mais perigosa e assassina se torna. Não que eu tenha medo de viver aqui, mas um desgosto e ódio imenso eu não consigo esconder. Cá estou eu, apenas eu e meu carro encobertos pela noite escura, somos só nós dois, o resto é resto, uma grande piada. Por quanto tempo será que estou dirigindo? Meu relógio me mostra que são duas da madrugada. Acho que saí de casa as onze, portanto dirijo há mais ou menos três horas. Ainda não me sinto cansado.
Sem que eu perceba, enfiei o carro no pior lugar possível de se ir uma hora dessas. A parte “negra” da cidade. Não que aqui só vivem crioulos, mas com certeza eles são a maioria. Este lugar tem a mais alta taxa de violência da cidade toda, se eu fosse prefeito, com certeza este lugar ia queimar, não ia deixar sobrar nada nem ninguém, tudo ia pro inferno. Os outros moradores da cidade me aplaudiriam de pé, e em minha homenagem seria construída uma estátua minha em frente a prefeitura com os dizeres “Uma homenagem àquele que exterminou os ratos”. Seria lindo.
Casa, sinto uma vontade imensa de voltar, não que eu goste de lá, é claro. Sem mais ter oque fazer, eu volto. Paro meu carro, entro em casa. Lar, doce lar. Se isso for doce, com certeza Deus têm diabetes. É só uma casa comum de um homem solteiro que espalha cuecas e meias pelo chão, e quando chega do trabalho senta na frente do computador e se masturba incansavelmente fazendo visitas a sites pornográficos. A cozinha mais parece um bar, com latas de cerveja vazias espalhadas pelos cantos, e algumas garrafas de vodca e whisky baratos pela metade. Eu não preciso de comida, preciso de bebida para me esquecer o quão fracassado eu sou.
Deito em minha cama que não arrumo à 3 dias e me acaricio com carinho. Loira. Mechas alaranjadas. Pele clara. Uma palmada em sua nádega com certeza deixaria um sinal maravilhoso. Ela vem vindo até mim. Está mais branca do que à poucas horas atrás. Nua. Fria. Não morta, apenas fria. Sobe em minha cama e me ensina como fazer amor com uma garota menor de idade. Não sei por quanto tempo fizemos amor, só sei que quando abri os olhos eu estava deitado em minha cama, sozinho, com a mão no meu membro que já estava cansado. Deitado em minha cama eu senti sono como não sentia há tempos. Fechei meus olhos querendo nunca mais acordar novamente. Lar doce lar. Talvez Ele deseje ser diabético se viesse em casa algum dia.
Boa noite.
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poético
ResponderExcluirtemos o mesmo layout
se quiser conhece rmeu blog fique a vontade
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