domingo, 13 de dezembro de 2009

Simples, porém de coração

Você é tão linda desse jeito. Nunca pensei que dessa forma você fosse tão diferente. Sua pele, pálida como a neve, está te dando uma aparência mais delicada. Macia e fria. Fria como se estivesse exposta ao vento frio que sopra na noite mais gélida de inverno. Muitas vezes imaginei como seria vê-la dessa forma, mas não fazia idéia do quanto você fica bela sem seus olhos azuis. Não precisa se preocupar, pro lugar que você está indo, não precisará deles.
Vou guardar seus olhos com muito carinho. Olhá-los fixamente me faz viajar. Vejo-me no céu, voando com os pássaros. Azul. Eu adoro o azul. Mas prefiro o vermelho. O vermelho, da cor do sangue que escorre de seu corpo que está pendurado por correntes no meio da minha sala de estar. Enfiá-las na sua pele deu um certo trabalho, mas valeu a pena o esforço, você está parecendo uma boneca de marionetes.
Leve como uma pena. Sem seus órgãos internos é assim que você ficou. E o mais maravilhoso foi retirá-los com você ainda viva, observando cada corte que eu fazia, cada órgão que eu retirava. Fui bom. Preocupei-me muito com a sua pessoa, assim como você sempre se preocupou comigo. Para evitar sua agonia, eu destruí seus tímpanos com um prego superaquecido que coloquei em seus ouvidos, dessa forma você não ouviria seus próprios gritos. Ocorreu tudo bem. Perfeito.
Seu coração sobre a mesa me dá água na boca. Imagino como seria fazer um ensopado dele...
Hahahaha! Calma! Eu não sou um canibal! Isso foi só uma piada. Estou descontraindo um pouco as coisas. Não quero que ninguém tenha uma imagem ruim sobre minha pessoa. Não tenho interesse em comer gente. Apenas gosto de cortá-las, dissecá-las, torturá-las e conservar seus olhos, unhas, dentes e cabelos. A propósito, minha coleção está cada dia maior! Mas, canibalismo, não, isso já é nojento, loucura.
Cabelos. Já ia me esquecendo dos seus. Quero todo fio. Raspo sua cabeça cuidadosamente. Coloco os seus cabelos cor de ouro na mesa, perto de seus dentes e unhas. Suas unhas foram arrancadas facilmente com um alicate e um bisturi. Enfiava o bisturi bem devagar por baixo das duas unhas para que elas ficassem soltas e usava o alicate para puxá-las. Simples. Já seus dentes foram um pouco mais complicados. Tive que cortar um pedaço de sua língua, pois ela estava atrapalhando quando eu tentava martelar, com um martelo pequenino, seus dentes um a um, para que eles ficassem mais fáceis de serem retirados.
Demorei a terminar de dissecá-la e retirar cuidadosamente as lembranças para que nada fosse danificado. Estou exausto. Isso realmente foi cansativo, porém, divertido. Sento-me no meu sofá e te observo pendurada. Lembro-me de quando você me abraçava. De quando você me beijava. E principalmente, de quando você me colocava na cama para dormir. Mãe, você foi especial. Adeus.

Um comentário:

  1. Dede dobre a lingua pra falar de Deus, pois o mundo era perfeito até que o homem o corrompeu com sua ganancia, somos o que formamos de nós... Ele nos deixou o livre arbitrio a escolha é nossa ou vivemos pra contruir o bem ou vivemos pra participar do mal ... Reflita... Cris

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