sexta-feira, 8 de julho de 2011

How Deep is Your love

Não consigo me concentrar sem música, por isso ligo o som e coloco Bee Gees, as musicas deles me relaxa. “How deep is your love”, eterno sucesso da banda, letra perfeita, harmonia impecável, impossível não gostar. Aumento o volume, deixando-o bem alto, para que os gritos vindos do porão não sejam ouvidos. Crianças são escandalosas demais, fazem muito barulho, são umas pestes.
Com a música tocando meus ouvidos, começo a fazer meu trabalho. Primeiramente, escolho a minha mais bela, cintilante, suave, afiada e mortal faca de caça. Ainda está um pouco suja, na última noite, usei-a na irmã do fedelho que está no porão e esqueci-me de lavá-la. Levo-a delicadamente a água, e com cuidado limpo sua lâmina. Passo um pano para que o sangue, que já está seco, saia completamente. Pronto, Agora está perfeita.
Brilhante e limpa, como um espelho. Quando olho fixamente na faca, vejo minha imagem sendo refletida. Lindo. Já havia me esquecido de como sou tão maravilhoso, acho que não me olho no espelho há alguns dias. Minha pele clara, olhos castanhos, cabelos pretos e compridos, o único defeito é uma maldita camada de pêlos que está começando a crescer sobre a minha face. Preciso fazer a barba.
Me incomodo com barba, odeio bigode, afinal, os únicos pêlos que ficam bem no rosto são as sobrancelhas, por isso vou cuidar de minha higiene pessoal antes de terminar o meu trabalho. Vou ao banheiro, passo um creme de barbear no rosto e inicio o processo de cortar os malditos pêlos com um simples barbeador descartável. Quando arrasto o barbeador na minha pele, sinto que ele não está muito novo, a lâmina já está gasta, mesmo assim, continuo.
Passados alguns minutos, termino de fazer minha barba. Limpo a pia suja de pêlos. Percebo que a música havia acabado, os gritos já podiam ser ouvidos novamente. Me pergunto a quanto tempo a música não estava mais tocando. Não me lembro, mas isso não importa, ninguém além de mim é capaz de ouvir os gritos do garoto, afinal, minha casa é afastada do resto da cidade.
Coloco música novamente, penso em várias bandas, The Smiths, Johnny Cash, Bob Dylan, Orbinson, Ray Charles e Stevie Wonder, mas prefiro Bee Gees, e a mesma música novamente, “how deep is your love”, música perfeita. Pego minha faca de caça novamente, sinto que ela sorri pra mim. Retribuo o sorriso para seus trinta centímetros de lâmina, e faço um pequeno corte em meu braço esquerdo. É tão prazeroso ver a facilidade com que a pele e a carne são abertas com um simples movimento.
Não limpo o sangue que escorre do meu braço, deixo ele cair no chão. As gotas vermelhas são lindas. Gostaria que as gotas da chuva fossem vermelhas como o sangue, seria tão mais interessante do que o vazio incolor das gotas de água.
Já é hora, o garoto me espera, sinto que ele não agüenta mais gritar, chorar e espernear. Vou a passos leves até a porta do porão. Giro a chave. A porta velha de madeira pintada da cor branca se abre. O cheiro de mofo e morte invade minhas narinas. Uma delícia. O garoto está lá embaixo amarrado. Gritando como um louco. É incrível como uma criança de oito anos pode fazer tanto barulho. Está escuro, acendo a luz. Começo a descer a escada que tem apenas treze degraus. Olho para faca em minha mão. Sinto que ela está feliz e excitada, assim como eu. Chego ao fim da escada, o garoto me vê e se cala.
Ele está imóvel, está com medo. Minha faca e eu o assustamos. Crianças são mais fáceis de cortar, a pele é mais sensível, eles gritam e fazem mais escândalo do que uma pessoa adulta, por isso prefiro as crianças. Chego perto dele. Ele não se move. A faca como se tivesse vida própria, possui meu braço direito, e com movimentos rápidos e precisos ela inicia o processo de dissecação do corpo humano.
Isso, realmente, me excita.

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